Os benefícios da atividade física para pacientes com câncer

No passado, era muito comum associar repouso aos pacientes com tratamento de doenças como o câncer.

Atualmente sabemos que essas orientações só devem ser seguidas à risca caso existam fatores reais que impeçam as atividades, como dores, aumento da frequência cardíaca ou falta de ar.

A princípio, o que é normal quando se trata de dor em treinos? Descubra no artigo Dor depois da musculação: o que é normal?

A prática de exercícios não é apenas possível e segura durante o tratamento de câncer, como também pode melhorar a disposição e qualidade de vida do paciente.

A saúde e os exercícios físicos estão sempre lado a lado, independentemente do nosso diagnóstico. Cabe apenas a busca pelo equilíbrio e, obviamente, não ultrapassar demasiadamente os limites.

Atividade física aumenta significativamente a sobrevida de pacientes com câncer

Em recente encontro da American Association for Cancer Research (AACR), especialistas trouxeram pontos muito interessantes a respeito da associação de atividades físicas e o diagnóstico de câncer.

No caso, foi observada a associação de atividade física e mortalidade em oito tipos de câncer.

Os dados coletados sugeriram que pacientes que fazem atividades físicas antes e depois do tratamento têm 40% mais probabilidade de sobreviver, se comparados com pessoas sedentárias.

Para os especialistas, mesmo que a associação tenha sido observada em apenas oito cânceres, o risco relativo foi inferior a 1 em quase todas as localizações dos tumores estudados.

Isso significa que há uma vantagem de sobrevida para todos os tipos de tumores. Por mais que não tenham sido apresentados poderes estatísticos suficientes para contemplar outros tipos de câncer, a mensagem é muito importante: atividades físicas só trazem benefícios aos pacientes com câncer.

Nunca é tarde demais para se exercitar

Até mesmo em relação aos pacientes previamente sedentários, a introdução da prática de exercícios apresentou uma melhora significativa na sobrevida.

O sedentarismo é um problema que deve ser combatido, visto que compromete a saúde em muitos fatores. Você pode ler mais sobre isso na matéria Sedentarismo é responsável por duas vezes mais mortes do que a obesidade.

Na pesquisa, aqueles que não realizavam nenhuma atividade física na década anterior ao diagnóstico e, após, iniciaram alguma atividade, tiveram uma melhora impressionante de 25% a 28% da sobrevida em comparação aos sedentários.

Ou seja: mesmo que você nunca tenha praticado exercícios, pode começar hoje mesmo.  Seu corpo agradecerá!

A literatura médica cada vez mais têm evidenciado a ligação de atividade física com os benefícios para pacientes com câncer. Além da qualidade de vida, anteriormente citada, há a melhora da força muscular e do funcionamento cardiovascular.

Lembrando que não podemos associar o ganho de força muscular ao simples fator estético. Uma boa composição física resulta em uma série de melhorias para o corpo. Saiba mais sobre elas nesse artigo!

Além desses fatores, acredita-se que os benefícios também se estendem no que diz respeito à sobrevida dos pacientes: você pode conferir nesta pesquisa.

Para ilustrar a importância da prática de exercícios:

Em recente estudo, foi verificado que os pacientes com câncer de cólon de estágio III que correspondiam às práticas de vida saudável com alimentação e atividades físicas, demonstraram um risco relativo de morte 42% mais baixo.

Neste estudo, foram examinadas associações conjuntas da atividade física e da mortalidade de 5.807 pacientes com diagnóstico de câncer.

O estudo foi composto majoritariamente por mulheres (54,8%) ao passo que tiveram 45,2% homens. No que diz respeito a idade, a média era de 60,6 anos.

Os diagnósticos foram dos seguintes cânceres:

  • bexiga;
  • mama;
  • cabeça e pescoço;
  • rim;
  • fígado;
  • pulmão;
  • ovário;
  • pâncreas;
  • próstata;
  • pele;
  • estômago;
  • colorretal;
  • esofágico;
  • neoplasias do endométrio e hematológicas.

Nesta população de pacientes, 25% afirmaram não realizar atividades físicas regularmente antes do diagnóstico. 42% informaram não realizar atividade física após o diagnóstico.

Em relação ao status da atividade física, 52% declarou ser habitualmente ativo. Em oposição, 19% manifestou sedentarismo, 23% contou ter diminuído a prática após o diagnóstico e 6% descreveu aumento de atividade após o diagnóstico.

Pela análise, a maior vantagem de sobrevida foi observada nos pacientes que se exercitaram três a quatro dias por semana antes e depois do diagnóstico.

Para aqueles que, antes e depois do diagnóstico, realizaram atividades físicas apenas um ou dois dias por semana, a taxa de sobrevida se manteve praticamente a mesma. O surpreendente foi que esse resultado também foi observado naqueles que praticavam esportes de cinco a sete dias por semana.

Para os pesquisadores, ainda não se sabe porque esses dois grupos tiveram a sobrevida quase idêntica. Porém, a principal mensagem é: a prática de exercícios traz resultados significativos, até mesmo quando realizada com pouca frequência.

Aos atletas de fim de semana

Entre as pessoas que se exercitam apenas uma ou duas vezes por semana, o risco de mortalidade por câncer ou doença cardiovascular é menor do que para pessoas que nunca se exercitam.

Pode parecer uma sentença óbvia, porém, é particularmente encorajador. Isso porque muitas pessoas desistem antes mesmo de iniciar treinos, com a desesperança de que, por nunca ter realizado nada, o jogo está perdido.

O risco de mortalidade naqueles que se mantiveram habitualmente ativos foi 40% menor, quando comparados aos sedentários.

Aquelas pessoas que aumentaram seu nível de atividade após o diagnóstico também apresentaram muitas melhorias! Foi considerada uma redução de 25% de mortalidade nesse grupo, em comparação aos pacientes sedentários.

Essa é uma contribuição significativa para respaldar a importância de resgatar o hábito de praticar atividades físicas, seja qual for sua idade, peso e situação de saúde.

Pesquisas como essa servem para que as pessoas tomem consciência da autonomia que possuem quando se trata da própria saúde.

Podemos escolher o sedentarismo ou viver uma vida mais plena, com hábitos saudáveis. Só depende do próprio indivíduo reconhecer seu protagonismo nisso.

É cada vez mais nítido que a promoção de mudanças saudáveis de estilo de vida em termos de exercícios, atividades físicas e alimentação, são considerações ESSENCIAIS para melhores resultados clínicos e de qualidade de vida – incluindo o tratamento contra o câncer.

 

Dr. Victor Sorrentino é médico e símbolo de um movimento que tem como objetivo possibilitar a longevidade saudável através de uma Medicina Integrativa. De forma corajosa e ativa, contesta paradigmas da medicina escondidos da população. Seu objetivo é mostrar o passo a passo para transformar seu corpo em uma máquina de energia. É conhecido por seu livro e curso “Segredos para uma Vida Longa”.

Dr. Márcio Tannure

Referência na Medicina do Esporte, Márcio Tannure é membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e Membro da Sociedade de Artroscopia e Traumatologia do Esporte. Faz parte da equipe médica do Flamengo há mais de 15 anos e Médico Oficial da UFC desde 2011.